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Brasília - 4 de março de 2026 - 0:58h
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Caso Lucas Abud: delegada suspeita assina inquérito e usa “vacina”

Delegada Priscila Luedy, da Polícia Civil da Bahia - Foto: Reprodução
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A delegada Priscila Luedy, conforme amplamente noticiado, flagrada presidindo inquérito em que indiciou o empresário Lucas Abud por violência doméstica sem revelar que o advogado da acusadora fora defensor da própria delegada, usou uma “vacina” ao assinar a peça.

Delegada vai se defender na Corregedoria e MP

Priscila Luedy assinou a peça junto com 4 delegadas plantonistas que estavam no plantão de um sábado em que ela recebeu seu ex-causídico e oficiou às 11 da noite contra Abud, mesmo que a denúncia fosse sobre um suposto fato ocorrido 5 anos antes. Não havia urgência. Ela vai responder na Corregedoria da Polícia Civil e Ministério Público.

Delegada buscou apoio de veteranas, mas não obteve

A delegada tentou que delegadas veteranas na defesa de violência contra mulheres assinassem com ela o seu relatório. Conseguiu apenas as plantonistas. Mas não muda nada: ela é quem presidiu o inquérito, agora sob suspeição.

Priscila Luedy só se tornou delegada graças a advogado da outra parte

A delgada só tomou posse graças ao advogado que atua no lado contra Abud e defende sua ex-exposa, Fabiana Gordilho, num divórcio milionário – ela pede 160 milhões de reais. O advogado, depois de Priscila ser reprovada e passar 10 anos tentando, conseguiu que ela fosse nomeada.

Suspeição e prevaricação serão levados ao âmbito legal

Por esses motivos, a delegada – apesar de colocar outras plantonistas para assinar a peça que tem ela como autora – terá que se explicar perante as autoridades. O curioso é que as dúvidas sobre ela chamam tanta atenção que põem sombra sobre suas acusações.

Policial Civil da Bahia afirma que está acompanhando o caso

Por meio de nota oficial, a Polícia Civil afirmou que não existe conflito “automático” de interesses em autoridades policiais que cuidam de casos de advogados. Mas não defendeu claramente a delegada. Ela será chamada a se explicar nas instâncias devidas. O espaço da coluna está aberto para a posição da delegada.

Em nota à reportagem em fevereiro, a assessoria da Polícia Civil da Bahia, a quem a delegada, contatada pela Coluna, pediu para que nos respondesse, informou “que não existem investigações sobre qualquer tipo de ação da autoridade policial em questão, tendo em vista também que o parecer do Ministério Público afirma não haver suspeição sobre as condutas da delegada. Também informa que não houve indicação de qualquer vício concreto que contamine provas do procedimento de Polícia Judiciária”.

A resposta da assessoria da Polícia – e não da delegada – carece de explicações detalhadas sobre como são os trâmites investigativos. Enquanto ela foge do contato com a imprensa e diz não ter nada contra sua conduta, o MP ainda inicia o processo de apuração, como publicamos. A Coluna mantém a versão sobre a denúncia do advogado José Eduardo Cardozo em nova investigação sobre a delegada.

Nesta sexta-feira (6/2), alguns jornais da nossa rede receberam uma notificação extrajudicial do sindicato dos delegados da Bahia em defesa da delegada citada na matéria. O colunista informa que a delegada teve seu direito de resposta preservado e citado, e a abordagem do sindicato denota um claro corporativismo e tentativa de intimidação do dever jornalístico de informar.

A Coluna não inventou a denúncia, a notícia está embasada em documentos comprobatórios do advogado de uma das partes que se diz prejudicada pela ação da delegada numa inquérito, conforme o teor publicado.

Leia também: Advogados são investigados pela OAB-BA por fraudes em processo de divórcio

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