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Brasília - 23 de janeiro de 2026 - 8:44h
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Link Importadora de SC é apontada como dona de carga iraniana sancionada no Brasil

Foto: Reprodução
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Registros da Autoridade Portuária do Paraná (APPA) indicam que a LINK Comercial Importadora, com sede em Santa Catarina, é a verdadeira proprietária da carga de ureia transportada pelo navio iraniano MV Ganj, embarcação que consta na lista de sanções do Office of Foreign Assets Control (OFAC), do Tesouro dos Estados Unidos.

O MV Ganj e o produtor da carga, a Pardis Petrochemical, estão formalmente sancionados pelas autoridades dos Estados Unidos. Especialistas avaliam que a operação expõe não apenas os agentes privados envolvidos, mas também o governo brasileiro, ao risco de sanções secundárias, em um momento de endurecimento da política externa dos Estados Unidos sob a gestão do presidente Donald Trump.

De acordo com os dados portuários, além da proprietária da carga, operadores e prestadores de serviços logísticos também estariam potencialmente expostos às sanções, incluindo o Operador Portuário Fortesolo e a Agência Marítima Fortenave, empresas do mesmo grupo econômico. Outra incerteza no setor envolve a posição da Petrobras quanto ao fornecimento de combustível marítimo (bunker) para embarcações e empresas sancionadas.

O navio declarou origem no porto de Asaluyeh, no Irã, e tem como vendedora da carga a East Oil, empresa sediada em Dubai e parceira comercial do governo iraniano, que mantém relações comerciais com a LINK. Entre os principais riscos associados à operação está a proibição de transações financeiras em dólar envolvendo empresas ligadas ao governo do Irã.

Segundo fontes do setor, a única alternativa considerada legal para esse tipo de operação seria o escambo, com a troca da ureia por milho. Ainda assim, haveria a necessidade de algum tipo de acerto financeiro para compensar a diferença de valor entre as mercadorias, o que mantém as operações sob escrutínio.

O cenário de restrições não se limita ao Irã. No Porto de Santos (SP), permanece aguardando o navio Peridot, um tanqueiro com carga de óleo diesel de origem russa, também sancionada no âmbito das medidas impostas pela União Europeia. A carga é destinada à Royal FIC Importadora, que enfrenta dificuldades para contratar serviços de rebocadores, justamente pelo receio de empresas brasileiras se exporem às sanções europeias.

Fontes do setor marítimo e de comércio exterior avaliam que a sucessão de casos envolvendo cargas sancionadas tem aumentado a cautela de operadores portuários, agentes financeiros e prestadores de serviços no Brasil, diante do risco crescente de restrições comerciais e financeiras internacionais.

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