Parceiros

Brasília -

Parceiros
Brasília - 30 de janeiro de 2026 - 16:31h
Parceiros

Futebol português é o que mais chama a atenção dos cidadãos lusófonos

Cientista político brasileiro Antonio Lavareda apresenta estudo sobre futebol em Lisboa - Foto: Divulgação
#compartilhe

Por Lourdes Souza

O futebol português é o que mais atrai o interesse das populações dos países de língua portuguesa. Com ampla vantagem, Portugal desbanca o Brasil e alcança 54% das citações no ranking relacionado ao ‘Hábito de acompanhar o futebol de outros países de língua portuguesa.’ Os dados são do Barómetro da Lusofonia, que traz um retrato contemporâneo de oito países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. O estudo inédito foi realizado pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Económicas (Ipespe), e apresentado oficialmente, nesta quarta-feira (28), no centro de Lisboa.

No ranking, o futebol brasileiro aparece em 2° lugar, com 31% das menções nos demais países da CPLP. Os níveis de interesse pelo futebol de Angola (9%) e Cabo Verde (7%) são bastante reduzidos, enquanto os demais países registram valores residuais. No conjunto, 36% dos entrevistados declaram não acompanhar futebol de nenhum outro país lusófono.

Segundo o coordenador do Barómetro da Lusofonia, o cientista político brasileiro Antonio Lavareda, historicamente, o futebol constitui um importante vetor de pertencimento transnacional, operando como uma matriz cultural particularmente eficaz na produção de identidades e referências compartilhadas. Ele complementa que esse papel do esporte se manifesta também entre os países da Comunidade Lusófona, com grande número de pessoas que acompanham times de outros países.

“O futebol português lidera, com ampla margem, a capacidade de despertar interesse no restante da Comunidade, alcançando uma média geral de 54%”, afirma Antonio Lavareda.

De acordo com o ranking, o futebol português alcança percentuais muito elevados em Timor-Leste (84%) e mobiliza parcelas expressivas da população em Cabo Verde (66%), Guiné-Bissau (60%) e São Tomé e Príncipe (57%). O interesse é mais moderado em Angola (43%) e Moçambique (46%).

No Brasil, apenas 22% afirmam acompanhar o futebol português, enquanto 73% declaram não seguir o futebol de nenhum outro país lusófono. Em Portugal, observa-se padrão semelhante: 22% acompanham o futebol brasileiro e 72% não acompanham futebol dos demais países.

O interesse pelo futebol brasileiro é mais elevado em Timor-Leste (54%) e em Angola (40%). Na Guiné-Bissau e em Moçambique, cerca de um terço acompanha competições brasileiras. Em Cabo Verde, aproximadamente um quarto. Em São Tomé e Príncipe, apenas 11% manifestam interesse pelo futebol do Brasil. Reforçando o papel regional de Angola, 20% dos moçambicanos e 18% dos bissau-guineenses afirmam acompanhar o futebol daquele País.

Retrato da lusofonia

Pela primeira vez na história, os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) tem um retrato da lusofonia contemporânea. O Barómetro da Lusofonia foi realizado pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Económicas (IPESPE) e conta com o apoio institucional da CPLP, do Ministério da Cultura do Brasil, da Missão do Brasil junto à CPLP, da AULP, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), da Fundação Itaú, da FGV Conhecimento, da Fundação Joaquim Nabuco e da Universidade de Coimbra.

O estudo recolheu dados com 5.400 pessoas em oito países, a metodologia aplicada foi quantitativa híbrida, com entrevistas presenciais, telefónicas e online. As amostras foram definidas com base na população adulta, com 18 anos e mais, de cada país.

Para o cientista político Antonio Lavareda, o projeto criou bases comparáveis, que permitem compreender melhor as transformações sociais e culturais comuns aos países de língua portuguesa e, assim, vai preencher uma lacuna estratégica no espaço lusófono.

“O Barómetro da Lusofonia vai se transformar numa ferramenta de longo prazo para governos, organismos multilaterais, universidades e sociedade civil, capaz de informar decisões e políticas com base na voz dos cidadãos lusófonos”, pontua o especialista.

Além dos dados sobre o futebol, o Barómetro da Lusofonia traz indicadores sobre identidade cultural, heranças históricas, indústrias criativas, consumo de informação e media. Além disso, aborda também as relações de trabalho, educação, sustentabilidade ambiental, minorias, segurança pública, governança, liberdade de expressão e funcionamento das instituições democráticas.

Antônio Lavareda em apresentação na capital portuguesa – Foto: Divulgação

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.