Da Equipe da Coluna
Autoridades do Governo da Itália instauraram processo formal de investigação contra a empresa Biogen por suspeita de dificultar a venda de medicamento contra a esclerose múltipla da concorrente Sandoz – que pode chegar às farmácias com preços até 20% inferiores. A apuração começou em maio, pela Autoridade Italiana de Concorrência e Mercado (AGCM) – equivalente ao CADE no Brasil. Analisam se a estratégia da Biogen de vincular o acesso a seu teste diagnóstico à prescrição de seu próprio medicamento, o Tysabri teria criado obstáculos à venda do Tyruko (biossimilar da Sandoz).
Em nota oficial à Coluna, a Biogen “esclarece que a investigação mencionada se refere a um processo recentemente iniciado pela Autoridade de Concorrência da Itália e não diz respeito ao mercado brasileiro nem às operações da Biogen no Brasil”.
O Tysabri é um medicamento anticorpo monoclonal que impede as células inflamatórias de causarem danos ao sistema nervoso central, desacelerando a progressão da doença. No Brasil, está disponível no SUS. A Biogen é a única empresa com remédio do gênero registrado no país. No ano passado, no entanto, a Sandoz fez uma parceria com o Instituto Butantan para viabilizar a fabricação nacional de produto destinado ao SUS – movimento que poderá ampliar a concorrência no segmento.
A esclerose múltipla afeta o sistema nervoso central e pode causar sintomas como formigamento, perda de força, alterações na visão e dificuldades de equilíbrio. A doença não tenha cura, mas pode ser controlada com medicamentos que reduzem a frequência das crises e retardam sua evolução.
O Tysabri é indicado para pacientes com as formas mais graves da doença ou que não respondem adequadamente às terapias de primeira linha. Comercializado desde 2007, é administrado apenas em ambiente hospitalar, sob supervisão médica. Em 2024, a patente do produto expirou, abrindo espaço para a entrada de biossimilares.
O uso prolongado do medicamento, contudo, está associado ao risco (raro, mas potencialmente grave) de desenvolverem LEMP (Leucoencefalopatia Multifocal Progressiva), uma forma de infecção cerebral. Para avaliar esse risco, os pacientes que usam o medicamento devem fazer periodicamente o exame denominado Stratify – desenvolvido e fornecido pela própria Biogen.
Em 2024, a Sandoz lançou na Itália o Tyruko, biossimilar do Tysabri – que, como chegou ao mercado por um preço mais baixo, ofereceria aos pacientes o mesmo tratamento, com eficácia e segurança equivalentes, a um custo menor para o sistema de saúde.
Segundo a AGCM, a Biogen passou a restringir o acesso ao exame Stratify para pacientes que utilizavam ou pretendiam utilizar o produto da Sandoz

