Pouco antes de a Aneel indeferir, no início da tarde de desta segunda-feira (24), o pedido da Enel SP para realização de uma perícia externa que avaliasse os resultados dos trabalhos da distribuidora durante o último grande evento climático extremo na Região Metropolitana de São Paulo — o ciclone extratropical de dezembro de 2025, que atingiu metade da área de concessão da distribuidora, cerca de 4 milhões de clientes —, a agência reguladora havia aprovado, no item anterior da mesma pauta, a abertura de uma consulta pública ainda para este mês.
O tema da consulta é justamente a discussão, com o setor elétrico e a sociedade, sobre as medidas adequadas para a atuação das distribuidoras no enfrentamento de eventos climáticos severos.
Estão em debate a resiliência das redes, diante da queda de galhos, árvores e outros objetos; a possibilidade de investimento em redes subterrâneas com a adoção de tarifas diferenciadas; e a criação de novas métricas de qualidade, adaptadas à nova realidade climática enfrentada pelo setor.
Chama a atenção, porém, que a Aneel esteja, ao mesmo tempo, próxima de concluir um processo interno que pode resultar na recomendação de caducidade da concessão da Enel SP.
A análise leva em conta o desempenho da distribuidora em eventos climáticos ocorridos nos últimos três anos. Ou seja: antes mesmo de o setor debater coletivamente quais critérios devem valer para todas as concessionárias diante de eventos extremos, a agência já parece ter chegado a uma conclusão específica sobre a Enel SP.

