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Brasília - 3 de setembro de 2026 - 1:12h
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Gestões de MS, PR e RS vencem Prêmio Excelência em Competitividade

Foto: Divulgação
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Três políticas públicas de Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul são as vencedoras do Prêmio Excelência em Competitividade 2026, promovido pelo Centro de Liderança Pública (CLP). As iniciativas Sem Deixar Ninguém para Trás (MS), Parceiro da Escola (PR) e MEI RS Calamidades (RS) foram reconhecidas entre 403 políticas inscritas por 23 estados brasileiros, recorde de participação na história da premiação.

O anúncio ocorreu em São Paulo, durante o lançamento dos Rankings de Competitividade dos Estados e dos Municípios 2026, realizado pelo CLP. Em sua décima edição, o prêmio busca identificar e disseminar políticas estaduais capazes de entregar resultados concretos para a população e que possam servir de referência para outras administrações públicas. Entre os critérios considerados na seleção estão inovação, replicabilidade, sustentabilidade e equidade.

As três vencedoras mostram caminhos distintos para enfrentar desafios públicos. Em Mato Grosso do Sul, o foco está na identificação e atendimento da população mais vulnerável; no Paraná, em um novo modelo de gestão das escolas públicas; e, no Rio Grande do Sul, na combinação entre auxílio financeiro e capacitação para apoiar microempreendedores atingidos pelas enchentes de 2024.

Mato Grosso do Sul: busca ativa ajuda a reduzir extrema pobreza

A política Sem Deixar Ninguém para Trás, desenvolvida pela Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos de Mato Grosso do Sul (SEAD/MS), foi uma das vencedoras ao transformar a maneira como o Estado identifica e atende pessoas em situação de vulnerabilidade. Implementada desde 2023 e relacionada ao pilar de Sustentabilidade Social, a iniciativa partiu de uma Pesquisa Socioassistencial realizada nos 79 municípios sul-mato-grossenses, que deu origem a um Índice de Vulnerabilidade Social e permitiu orientar as políticas a partir de evidências.

O modelo institucionalizou a busca ativa e passou a combinar business intelligence, georreferenciamento e cruzamento de bases de dados para localizar pessoas que, embora tivessem direito às políticas sociais, não apareciam nos cadastros ou não acessavam os serviços públicos. A estratégia permitiu reorganizar programas e criar respostas específicas para diferentes vulnerabilidades.

Os resultados aparecem nos indicadores sociais: a extrema pobreza caiu de 2,7% para 1,6% em dois anos. Em 2025, o cadastro estadual alcançava cerca de 1,4 milhão de pessoas, mais da metade da população do estado, e a cobertura chegava a 78,88% das famílias em extrema pobreza e 80,03% das famílias em situação de pobreza. Entre os programas integrados à estratégia estão Mais Social, Energia Social – Conta de Luz Zero, Passe Livre Social, MS Supera e Cuidar de Quem Cuida.

Paraná: gestão administrativa sai das costas dos diretores

Na área de educação, o Programa Parceiro da Escola, da Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR), foi reconhecido por um modelo que busca permitir que diretores e equipes pedagógicas concentrem mais tempo na aprendizagem dos estudantes. Organizações especializadas passam a apoiar atividades administrativas, financeiras, de infraestrutura e de pessoal, enquanto a escola preserva integralmente sua autonomia pedagógica.

Iniciado como piloto em 2023 e consolidado como programa em 2025, o Parceiro da Escola chegou a 95 escolas, 62 mil estudantes e 40 municípios em 2026. A entrada de cada unidade no modelo ocorre por meio de consulta pública à comunidade escolar.

Os dados apresentados pela iniciativa mostram reflexos também na rotina escolar. Nas 82 unidades que integravam o programa anteriormente, a frequência dos estudantes aumentou 2,6% entre 2024 e 2025, o equivalente a 1.417 alunos a mais frequentando as aulas, em um universo de aproximadamente 53 mil estudantes. Em 2025, a frequência média chegou a 89,9% no Ensino Fundamental e 85,2% no Ensino Médio.

Rio Grande do Sul: apoio para MEIs recomeçarem após as enchentes

A 3ª vencedora, MEI RS Calamidades, nasceu como resposta aos impactos das enchentes de 2024 sobre os pequenos negócios gaúchos. Desenvolvida pela Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Profissional do Rio Grande do Sul (STDP/RS) e inserida no Plano Rio Grande, a iniciativa combina transferência direta de recursos com qualificação em gestão, associando resposta emergencial a uma estratégia de recuperação econômica.

O programa identificou 45.670 microempreendedores individuais atingidos e aptos ao benefício. Até dezembro de 2025, 30.632 haviam recebido a 1ª parcela e 12.574 concluíram a etapa de consultoria, tornando-se aptos à 2ª parcela. O benefício pode chegar a R$ 3 mil, dividido em duas etapas, sendo a 2ª condicionada à conclusão da capacitação.

O desenho procura fazer com que o apoio vá além da recomposição imediata de capital de giro. As consultorias abordam planejamento, marketing, custos e formação de preços. Dados da iniciativa mostram uma diferença de 10,23 pontos percentuais na permanência de CNPJs ativos entre os empreendedores capacitados e o universo geral de MEIs atingidos, em janeiro de 2026.

Seis políticas chegaram à final

Além das três vencedoras, outras três iniciativas chegaram à etapa final do prêmio: a Readequação dos critérios do Índice de Participação dos Municípios (IPM) do ICMS, de Pernambuco; o SPIA – Sistema de Policiamento por Inteligência Artificial, do Piauí; e o Sistema de Excelência em Liderança Orçamentária (SELO Paraná), do Paraná. Ao todo, as seis finalistas representaram cinco estados e políticas relacionadas a diferentes dimensões da competitividade.

Em Pernambuco, a mudança no IPM do ICMS buscou tornar mais equilibrada a distribuição dos recursos entre os municípios. O peso do Valor Adicionado caiu de 75% para 65%, enquanto 10% passaram a compor um Valor Adicionado Complementar direcionado aos municípios abaixo da média estadual de VA per capita.

Em 2024, os 184 municípios pernambucanos passaram a receber pela nova regra sem que nenhuma prefeitura tivesse redução nominal do repasse. A política está relacionada ao pilar de Solidez Fiscal.

No Piauí, o SPIA integrou videomonitoramento, leitura de placas, reconhecimento facial, mandados de prisão e diferentes bases cadastrais em uma única arquitetura de segurança pública, utilizando inteligência artificial como apoio à atuação policial. Em sete meses de operação, o sistema conectou mais de 3.500 câmeras no estado, incluindo mais de 1.200 equipamentos de última geração em Teresina.

Na comparação dos mesmos períodos de 2025 e 2026, os roubos de veículos recuaram 33,22% no estado, enquanto roubos com arma de fogo caíram 47,8% em Teresina e furtos de celulares diminuíram 18%, segundo dados apresentados pelo governo estadual na inscrição da política.

Já o SELO Paraná, desenvolvido pela Secretaria de Estado da Fazenda, criou um sistema contínuo para avaliar a qualidade da gestão orçamentária dos órgãos estaduais. A metodologia utiliza 11 indicadores técnicos, distribuídos em três eixos e apurados em seis ciclos bimestrais, com resultados disponibilizados em painel público. Em 2025, o Paraná avançou 17 posições no indicador de Sucesso do Planejamento Orçamentário, passando do 20º para o 3º lugar.

Prêmio chega à 10ª edição com recorde de inscrições

Criado pelo CLP, o Prêmio Excelência em Competitividade chegou à 10ª edição com o maior número de inscrições de sua história: foram 403 políticas públicas apresentadas por 23 estados. Após as etapas de avaliação, seis chegaram à final e três foram reconhecidas como vencedoras.

A premiação tem como objetivo identificar experiências que possam inspirar outros governos e estimular a disseminação de boas práticas entre os estados brasileiros. A seleção considera não apenas os resultados alcançados, mas também aspectos como capacidade de inovação, possibilidade de replicação, sustentabilidade da política e contribuição para a redução das desigualdades.

“As três políticas vencedoras mostram que boas políticas públicas não dependem de uma única fórmula. Elas podem nascer da tecnologia, de um novo modelo de gestão ou de uma resposta a uma emergência. O que as une é a capacidade de partir de um problema concreto, usar evidências para construir soluções e, principalmente, entregar resultados para a população. O objetivo do prêmio é justamente dar visibilidade a essas experiências e fazer com que boas soluções desenvolvidas em um estado possam inspirar gestores de todo o Brasil”, afirma Tadeu Barros, diretor-presidente do CLP.

Coluna Esplanada, com informações da Assessoria

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