
Por Jerônimo Goergen
O agronegócio brasileiro é uma das grandes forças econômicas do país, mas sua capacidade de crescer depende de uma cadeia organizada, capitalizada e preparada para enfrentar os desafios. O produtor rural não trabalha sozinho. Ao seu lado estão transportadores, cooperativas, fornecedores de insumos, indústrias e empresas cerealistas.
O cerealista cumpre uma função estratégica que ainda não é reconhecida na dimensão necessária. Ele recebe, seca, armazena e comercializa os grãos. Conecta a produção agrícola à indústria e aos compradores. Em muitas regiões, também participa do fornecimento de insumos e das condições comerciais que viabilizam a safra. É uma empresa parceira do agricultor e um elo essencial da economia.
O momento do agro exige que essa realidade seja compreendida. O produtor enfrenta clima adverso, custos elevados, juros, oscilações de preços e endividamento. Quando a renda da propriedade diminui, o impacto alcança todos os parceiros. A dificuldade de pagamento reduz a capacidade de compra e investimento, compromete o capital das empresas e diminui a circulação de recursos nos municípios.
Por isso, a recuperação do agro precisa incluir toda a cadeia. São necessárias linhas de crédito compatíveis com o ciclo da atividade, segurança jurídica, instrumentos de proteção contra riscos e investimentos em armazenagem e logística. Também precisamos tratar com seriedade da governança e da sucessão. Empresas bem administradas resistem melhor às crises, ampliam seus serviços e oferecem mais alternativas ao produtor.
O Brasil tem diante de si uma oportunidade extraordinária. Os grãos podem gerar mais valor na produção de alimentos, proteína animal, biodiesel, etanol, combustível sustentável de aviação e outros coprodutos. Essa transformação exige empresas preparadas, infraestrutura eficiente e uma relação mais próxima entre campo, indústria e mercado.
É essa agenda que estará no centro do 4º Congresso Cerealista Brasileiro, de 11 a 13 de novembro, no Costão do Santinho, em Florianópolis. Vamos discutir crédito, inovação, logística, segurança na comercialização e o novo valor dos grãos. O objetivo é construir propostas para o próximo ciclo de desenvolvimento do agro.
Como presidente da ACEBRA, defendo que fortalecer o cerealista é fortalecer o agricultor, preservar empregos e ampliar a competitividade brasileira. O futuro do agro será construído por quem produz e por quem está ao seu lado, todos os dias, transformando safra em desenvolvimento.
Jerônimo Goergen*
Presidente da ACEBRA — Associação das Empresas Cerealistas do Brasil

