A exposição “Brasília: da Utopia à Capital”, inaugurada em Paris na última segunda-feira (16), reafirma o papel da capital brasileira como um dos maiores símbolos de modernidade e experimentação urbanística do século XX. Com curadoria de Danielle Athayde e realizada pelo Instituto Artetude Cultural, a mostra ocupa a sede do Conseil économique, social et environnemental, no emblemático Palais d’Iéna, projetado por Auguste Perret.
A proposta é oferecer ao público francês uma imersão na história, no significado e na dimensão simbólica de Brasília, concebida por Lúcio Costa e marcada pela arquitetura inovadora de Oscar Niemeyer.
A vernissage, realizada nesta quinta (18), reuniu cerca de 600 convidados, entre autoridades, diplomatas e representantes do meio cultural. Estiveram presentes o presidente do CESE, Thierry Beaudet, e o Embaixador do Brasil em Paris e Mônaco, Ricardo Neiva Tavares, que discursou destacando Brasília como patrimônio cultural da humanidade e elo entre Brasil e França.
Os convidados também participaram de uma visita guiada conduzida pela acadêmica do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal, Leiliane Rebouças, que apresentou uma leitura histórica e social da capital brasileira.
A realização da exposição contou com o engajamento de instituições francesas e brasileiras, evidenciando a dimensão internacional do projeto. Entre os principais parceiros estão a Fondation Louis Vicat, presidida por Guy Sidos, além de entidades como a Cité de l’Architecture et du Patrimoine, a Fondation Le Corbusier, o ICOMOS France e a Maison du Brésil.
Do lado brasileiro, destacam-se o apoio da Embratur, da UNESCO no Brasil, da Embaixada do Brasil em Paris, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal e do Governo do Distrito Federal, além de parceiros do setor produtivo como a École Française du Béton e a Architecture de Béton.
Ao destacar os laços históricos entre Brasil e França, Danielle Athayde lembrou que o escritor e ex-ministro da Cultura André Malraux definiu Brasília como “a capital da esperança”, ressaltando seu caráter visionário. Esse vínculo também se reflete na trajetória de Juscelino Kubitschek e do próprio Oscar Niemeyer, que encontraram em Paris um espaço de acolhimento durante o período da ditadura militar brasileira.
Ao estabelecer uma ponte simbólica entre duas tradições arquitetônicas modernas — a brasileira e a francesa —, a exposição transforma o Palais d’Iéna em um espaço de diálogo entre passado, presente e futuro, reafirmando a arquitetura como instrumento de imaginação e construção coletiva.
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Coluna Esplanada, com informações da Assessoria

