A Keeta anunciou que chegaria “com tudo” ao Rio de Janeiro, com posts chamativos e promessa de coletiva nesta quinta (26). Na véspera, porém, cancelou o evento e adiou o lançamento, alegando falta de condições concorrenciais e responsabilizando iFood e 99Food por dificultarem sua entrada.
A justificativa soa como cortina de fumaça. A empresa enfrenta desafios próprios no Brasil, incluindo acusações de problemas de cultura organizacional e demissões em massa antes mesmo de operar. Em Santos, estreou com protestos de entregadores por pagamentos e queixas de restaurantes sobre descontos não autorizados. Em São Paulo, gerou polêmica ao ofertar pratos de restaurantes sem contrato por meio de “compra intermediada”. O detalhe é que na capital paulista compete com iFood e 99Food, sem fazer as mesmas reclamações.
A 99 Food, da Didi, entrou no país em junho passado sob as mesmas condições regulatórias e segue disputando espaço nas mesmas cidades que a Keeta agora critica. A Keeta também já sofreu derrota judicial contra a 99 no Brasil.
No caso específico do Rio, os primeiros anúncios de vagas para estruturar equipe local começaram a aparecer apenas recentemente, inclusive em plataformas públicas de recrutamento e no LinkedIn. Ou seja: enquanto prometia data oficial de lançamento, a empresa chinesa ainda estava montando sua estrutura de atendimento no estado.
Conforme já anunciado aqui pela Coluna, no cenário financeiro, sua controladora, a Meituan, projeta prejuízo bilionário em 2025, pressionada pela guerra de preços na China. Embora diga ter recursos para investir no Brasil, a avaliação do mercado é que o entrave pode estar menos na concorrência e mais na execução.
Pelo visto, até agora, o único anúncio cumprido foi o do cancelamento.

