A Polícia Civil do Estado de São Paulo abriu um inquérito contra o presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Reinaldo Carneiro Bastos, por suspeita de crimes na gestão da entidade. A investigação foi iniciada por ordem da promotora Beatriz Lotufo Oliveira, do Ministério Público de São Paulo, a partir de denúncia que mostrou “vultosa evolução patrimonial desprovida de lastro”.
Entre os crimes sendo investigados estão gestão fraudulenta, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e crimes contra a ordem tributária. A denúncia demonstra um crescimento “exponencial” do patrimônio de Bastos e de seus parentes diretos, que coincide com sua evolução na FPF, especialmente após alcançar a presidência da entidade.
Além disso, diversas operações societárias atípicas são apresentadas como indícios de possível lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial.
Entre essas operações destaca-se que, em 2014, a maior parte do patrimônio de Bastos foi transferido para uma holding familiar, a LACS Participações Ltda. Em janeiro daquele ano, Marco Polo del Nero foi reeleito presidente e Bastos vice-presidente da FPF. À época, a imprensa já noticiava que del Nero mirava a presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que se concretizou em 2015, e que Bastos seria seu substituto à frente da Federação Paulista.
Outra transação que chama atenção na evolução patrimonial de Bastos é a sua saída do quadro societário da Milclean Serviços Ltda. em 2021. O presidente da FPF vendeu sua participação para seu sócio Otávio Alves Corrêa Filho pelo valor de R$ 15,5 milhões, sendo que R$ 11,5 milhões teriam sido pagos em espécie – o que é considerado atípico.
A Milclean é alvo de uma investigação interna no São Paulo Futebol Clube por um contrato firmado na gestão do presidente Julio Casares, um dos maiores apoiadores de Bastos na FPF. Segundo revelou o jornal O Estado de S. Paulo, a Milclean tem um contrato de R$ 21,5 milhões com o clube para prestar serviços de limpeza, mas a empresa não disponibiliza nem metade do número de funcionários previsto no contrato.
O contrato prevê um mínimo de 95 funcionários trabalhando no clube, mas no mês de dezembro de 2025 o dia com o maior registro de colaboradores foi de 55 e o menor foi de apenas 39 trabalhadores.
O inquérito foi encaminhado em 23 de janeiro para o 23º Distrito Policial, em Perdizes, mas será transferido para o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC).

