“Isso é errado, isso não se faz”. Essas foram as palavras mais leves do ministro do STF André Mendonça sobre parlamentares e assessores da CPMI do INSS que tiveram acesso à sala-cofre da Comissão, em seu discurso na sessão plenária da Corte do último dia 26 (Quinta-feira), ao defender seu voto vencido pela prorrogação da CPMI.
Conforme revelou a Coluna em 1ª mão no dia 19 de março, Mendonça lacrou a sala e proibiu acesso de qualquer um – de senadores a asseclas – porque descobriu que alguns deles usaram os óculos Ray-Ban Meta Wayfarer 2ª Geração (R$ 4 mil na praça), com microcâmera, para filmar e fotografar imagens e vídeos dos documentos sigilosos do inquérito da Polícia Federal, em especial as do “banqueiro” Daniel Vorcaro.
O STF enterrou a CPMI dando direito ao silêncio em HC para mais de uma dezena de suspeitos investigados. Ficaram para trás, na gaveta, o relatório com mais de 200 pedidos de indiciamento e as vistas-cegas dos seus membros sobre os espiões tecnológicos: a Polícia Legislativa não recebeu uma solicitação sequer para investigar essa denúncia, vinda de um ministro da mais alta Corte Judiciária.

