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“Correio” tenta reverter negócio, mas só consegue acesso a documentos

Foto: Divulgação
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Dívida milionária do tradicional jornal foi comprada por empresa da família do ex-senador Luiz Estêvão, que pretende executar o pedido de pagamento dia 20, se não houver acordo

O decano “Correio Braziliense”, um dos mais conhecidos diários do Brasil, passa por uma situação financeira difícil há anos – que piorou muito nas últimas semanas. Mês passado, o departamento jurídico do jornal foi surpreendido com uma operação inesperada na praça, e legal, avalizada pelo banco. No bordão popular, um empresário “comprou a dívida” do jornal junto ao Banco de Brasília (BRB). O que ninguém esperava era a aparição do ex-senador Luiz Estêvão na transação. Uma empresa de sua família praticamente detém, agora, a posse da sede do “Correio” – e de muitos equipamentos dentro do prédio.

A operação envolveu a compra de debêntures, mais correção, emitidas pelo BRB no valor de R$ 52 milhões no ano de 2016. Seriam pagas em oito parcelas semestrais consecutivas – findando o contrato em 2021. Mas as altas dívidas do jornal e a pandemia da Covid-19, que afetou boa parte do mercado, prejudicaram os repasses – assim alegou o jurídico do jornal em ação no TJDFT. Na semana passada, o “Correio” tentou cancelar toda a operação numa ação na Justiça, à qual a Coluna teve acesso. Trechos do processo (público) estão neste link.

Uma tentativa frustrada. O máximo que os advogados conseguiram foi o acesso aos documentos da negociação – que tanto Estêvão, quanto o BRB avisam ter sido totalmente legal e transparente. O juiz, pelo notório na sentença, também entendeu assim, e ainda enquadrou o jurídico do diário. Avisou que não há nenhuma previsão constitucional ou de praxe no mercado para desobrigar a negociação em voga. O “Correio” não se pronuncia sobre este caso.

Um cenário vindouro ainda é mais sombrio para a empresa a curtíssimo prazo. Estêvão pretende cobrar a dívida este mês. A partir da assembleia do dia 20 de julho, caso a empresa não apresente proposta de pagamento, “os debenturistas passarão a tomar as medidas para se apropriar da garantia: o imóvel”, avisa o empresário.
O “Correio” já tinha conseguido um prazo judicial maior ano passado, quando a sede iria a leilão, que foi suspenso pelo TJDFT. Mas nos últimos meses, o jurídico do BRB – também um anunciante de muitos anos que ajudou o jornal a se manter – não quis mais conversa nem reconheceu tentativas de procrastinação no processo. Especula-se na praça que a empresa teria levantado R$ 100 milhões em empréstimos no BRB nos últimos anos, e pretendia mais R$ 30 milhões, mesmo com a dívida em aberto.

Para não se complicar no mercado com nova operação que pudesse conotar regalias, o BRB então aceitou a proposta da CASAFORTE, empresa da família de Estêvão, e negociou as debêntures. A dívida do “Correio”, agora, está nas mãos do ex-senador, que pode executá-la a qualquer momento. Dono do conhecido “Portal Metrópoles”, Estêvão já avisou que não tem interesse na marca editorial “Correio”, apenas no imóvel. E tem dado tempo aos diretores para conseguirem outra sede.

O caso pode durar na Justiça. Fontes relatam que a direção do jornal está revoltada com a negociação, com a direção do BRB e por ter autorizado a venda das debêntures logo para o ex-senador – alvo de muitas reportagens outrora, quando perdeu seu mandato – que agora tem o futuro do jornal em suas mãos. Nos últimos dias, o jornal tem publicado matérias questionando números de parcerias do BRB.

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