Um documento emitido pelo banco Santander e obtido pela coluna aponta que o senador Flávio Bolsonaro nunca figurou como “usuário master” da conta da Alcazar Holdings, empresa do advogado Willer Tomaz. O registro, datado de sexta-feira (23), contraria o teor de uma decisão sigilosa do Supremo Tribunal Federal (STF) divulgada no mesmo dia, que atribuía essa função ao parlamentar.
De acordo com o Santander, o único usuário master é Willer, que ocupa a posição desde 2017 no contrato de internet banking ao qual a conta foi vinculada na abertura, em maio de 2025. Na relação de pessoas cadastradas ao longo de toda a vigência, o nome de Flávio não consta, nem como master nem em perfil secundário.
Segundo a defesa, a investigação teve origem na Operação Sem Desconto, que apura fraudes no INSS e na qual o celular de Willer foi apreendido. A decisão determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens e a suspensão das empresas do advogado. Seu conteúdo veio a público a menos de 48 horas do segundo turno das eleições, realizado no domingo (25).
A defesa contesta as medidas. Para os advogados, o valor do bloqueio é uma cifra aleatória, sem correspondência com o patrimônio do cliente, e a suspensão das empresas equivale a uma punição antecipada, imposta sem acusação formal, processo ou condenação. Eles afirmam ainda que Willer não tem relação com as fraudes investigadas e que, sem encontrar vínculo com o esquema, a apuração passou a vasculhar sua vida pessoal e profissional, no que classificam como uma fishing expedition.
Sobre o senador, a defesa declara que os dois são amigos e que nenhum jamais movimentou recursos do outro.
Veja os documentos:

