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Brasília - 27 de outubro de 2026 - 5:55h
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Empresários dizem estar sem apoio para se adaptar ao fim da escala 6 x 1

Manifestação pelo fim da escala 6×1 | Crédito: Letycia Bond/Agência Brasil
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O Senado Federal aprovou recentemente a PEC 221/2019, que prevê o fim da escala 6×1 e a redução gradual da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial. O texto estabelece dois dias de descanso remunerado por semana e segue para promulgação pelo Congresso Nacional.

Nesse contexto, uma pesquisa do G4, plataforma de soluções corporativas para pequenas e médias empresas (PMEs), revela que 77,3% dos empresários entrevistados sentem que suas empresas estão sozinhas diante da adaptação, sem suporte adequado do governo e da legislação. Além disso, 60,9% esperam algum aumento no custo da mão de obra. A pesquisa entrevistou 540 donos de empresas de todo o País, entre setembro e outubro.

Atualmente, 37,7% dos respondentes afirmam utilizar a escala 6×1, seja como modelo predominante, seja em parte da equipe, enquanto 34,5% afirmaram que este modelo não se aplica em suas respectivas empresas. Já 27,7% dizem adotar outro modelo de escala.

Entre os principais impactos esperados, 27,9% apontam o aumento dos custos com folha de pagamento e 19,8% temem uma redução da capacidade produtiva e operacional. Por outro lado, 28,8% dizem não ter preocupação relevante ou não esperar impactos sobre seus negócios. Os resultados refletem diferentes estruturas empresariais e percepções sobre os efeitos da mudança na jornada de trabalho.

Para lidar com os desafios de produtividade, tecnologia e automação aparecem como caminhos prioritários. Para 36,5% dos empresários, a estratégia para os próximos 12 meses é investir nessas soluções para manter o quadro atual de funcionários.

Além disso, 80% demonstram confiança total ou parcial na capacidade de manter ou aumentar o faturamento com a mesma equipe por meio de tecnologia e inteligência artificial. A intenção de adoção é expressiva: 94,2% já utilizam ou pretendem utilizar IA para reduzir a dependência de horas trabalhadas. A implementação, no entanto, ainda enfrenta obstáculos: 51,5% apontam a falta de conhecimento técnico ou a incerteza sobre quais ferramentas escolher como principais dificuldades.

A pesquisa também mostra que 25,6% dos empresários ainda não definiram uma estratégia de adaptação para os próximos 12 meses. Questionados sobre medidas governamentais capazes de contribuir para a produtividade, 43% apontaram a reforma da legislação trabalhista para permitir modelos de trabalho mais flexíveis.

Já a redução de encargos trabalhistas foi a medida pública de apoio mais citada, por 31% dos entrevistados. Os dados indicam que, diante da aprovação da proposta pelo Senado, os empresários apontam a eficiência operacional, o investimento em tecnologia e a clareza regulatória como fatores relevantes para enfrentar as mudanças.

“Os dados confirmam o que vemos todos os dias com quem empreende no Brasil: o empresário já decidiu investir em tecnologia para crescer com o time que tem, mas sente que está sozinho diante da legislação trabalhista e da falta de clareza regulatória. O papel do G4 é reduzir exatamente essa solidão — com conhecimento, comunidade e as ferramentas certas para essa transição”, afirma Tallis Gomes, cofundador e presidente do G4.

Tallis Gomes, cofundador e presidente do G4 -Foto: Divulgação

Perfil dos entrevistados

A amostra é composta majoritariamente por fundadores ou sócios de empresas (76,5%), seguidos por CEOs/C-level (10%) e gerentes (8%). Na divisão setorial, houve predomínio do setor de Serviços (34,5%), seguido por Comércio e Varejo (14%), Tecnologia (13,5%) e Indústria (11%). Geograficamente, a amostra está concentrada no Sudeste (53%) e no Sul (20%), seguidos por Nordeste (10%), Centro-Oeste (7%) e Norte (3%). Quanto ao porte, 27% faturam até R$ 1 milhão por ano, 26% entre R$ 1 milhão e R$ 5 milhões, e 42% faturam acima de R$ 5 milhões, incluindo 9% com faturamento superior a R$ 100 milhões.

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