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Estreia da série ‘Diário de um passageiro’

Estreia da série ‘Diário de um passageiro’

Tenho um cálculo. O tempo que você consome desde que levanta – muitas vezes de madrugada – para ir a um aeroporto de uma grande cidade brasileira, incluindo o que gasta no check in, na espera do voo e no próprio voo, em muitos casos não compensa o valor que desembolsa para o trecho. Um dia saí de casa em Brasília às 5h30, para um voo das 6h30 para Belo Horizonte.

Somando o tempo que levei ao aeroporto, de táxi, mais a saída atrasada do voo em 40 minutos, mais a 1h05 de voo, mais os 15 minutos de taxiamento do avião na pista de Confins, mais os 25 minutos de espera de bagagem, mais os 45 minutos para chegar ao ponto de destino no centro da capital mineira, cheguei à conclusão de que é uma aventura que lhe toma… tempo. Entre duas cidades praticamente vizinhas, levando-se em conta o mapa do Brasil.

O resultado é que às 9h40 estava no local da reunião, depois de, somemos, 4h10 desde a saída do meu prédio ao Centro de BH, numa viagem de… avião. O mesmo percurso feito de carro – prova a ferramenta Google Maps – de Brasília para BH, me tomaria 8h37. Obviamente, muito mais tempo, e mais cansaço, e um gasto maior por conta da gasolina.

Mas este cálculo serve para provar que espantosamente o roteiro que fazemos por um voo que liga dois pontos entre 733 km é praticamente metade do tempo de uma viagem de carro para o mesmo trecho. Por que? Cheguei aonde eu queria, o foco dessa série que se inicia hoje: a infraestrutura dos aeroportos brasileiros e a logística ruim das companhias aéreas contribuem para deixar o país no ranking do atraso em relação a outros países.

Este repórter, no Aeroporto JK, no início da aventura: 12 aeroportos em menos de um mês

É notório, as emissoras de televisão mostram todos os anos, o descaso das companhias aéreas com o passageiro – atrasos nos voos, serviço ruim de informação, falta de funcionários no check in, overbooking (principalmente para quem usa o programa de milhagem para reservas) etc.

Por outro lado, a Infraero, estatal que administra os principais terminais do país, prova sua ineficiência: terminais bonitos mas apertados, banheiros sujos, reformas que se prolongam por anos (vide o Aeroporto Internacional do Rio, Tom Jobim), “puxadinhos” com obras milionárias em estrutura de aço e gesso no lugar onde deveriam ser construídos verdadeiros e novos terminais, e preços astronômicos para os aluguéis do comércio dentro dos terminais, que viraram minishoppings, preços esses repassados ao café espresso, ao salgado, etc.

Não bastasse o jogo de empurra entre a Infraero e as companhias quando o assunto é crise e “caos” – o termo que usamos para terminais lotados e atrasos nos voos – a Agência Nacional de Aviação Civil, criada há poucos anos para fiscalizar as empresas, patina no pátio.

Com estrutura deficitária também, ainda se dá ao luxo de fazer parcerias e permutas com quem deveria fiscalizar. Seus diretores e outros funcionários ganham passagens das aéreas. E, acredite, a TAM e Gol chegaram a patrocinar duas edições da feira nacional de aviação promovida pela… Anac. Para mim, um conflito de interesses. Mas a Comissão de Ética da Presidência da República, que consultei à ocasião há três anos, desligou o transponder (o aparelhinho anticolisão usado pelos pilotos).

Um café com leite a R$ 8 no Recife, companhia aérea sem advogado no Juizado Especial no Aeroporto de Brasília, overbooking proposital num voo para Teresina (PI), a máfia dos taxistas com preços absurdos em algumas cidades, com a conivência das prefeituras, o atraso de 2h30 que irritou uma tripulação – além dos passageiros – em São Luís (MA), os famosos puxadinhos sem-vergonha no Piauí, Maranhão e Vitória, fotos dos terminais etc.

Tudo isso e outras notícias a partir de hoje, aqui no blog, na série  Diário de um passageiro,  na odisséia vivida por este repórter na passagem por 12 aeroportos em um mês – média de um a cada três dias.

A partir desta segunda, a viagem Brasília-Rio, ida e volta, com comentários e fotos dos aeroportos JK e Galeão.

1 comment

  • Rogério de Medeiros Reis

    Até que enfim, alguém vai tentar nos mostrar com clareza, o verdadeiro “caos” em que se encontram os aeroportos do Brasil. Não podemos nos esquecer que em 2014 tem Copa do Mundo e 2016 tem Olimpíadas, sendo que os aeroportos de todo o Brasil se encontram ultrapassados, mal cuidados, sem infra estrutura nenhuma para receber tais eventos. Acho que essa série de reportagens deve ser bem esclarecedora, tentando demonstrar às autoridades competentes, as deficiências, as necessidades e os problemas que enfrentam os passageiros que procuram esse meio de locomoção. Ao Leandro, Boa Sorte! Voce vai precisar!

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