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FHC: “Brasil não precisa crescer como a China”

FHC: “Brasil não precisa crescer como a China”

De Manaus

Em tempos de globalização avançada do comércio, apesar dos protecionismos, e de uma consciência mundial cada vez mais voltada para o progresso sustentável, o Brasil precisa encontrar um modo “de crescer de modo inteligente”, ressaltou ontem o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, que enfatizou, porém, que o “Brasil não precisa crescer como a China”, com elevados índices anuais mensurados pelo PIB.

Para FHC, o importante é “a qualidade de vida”.

– Pode-se ter um crescimento médio de 4% ou 5% ao ano e melhorar a qualidade. O nosso crescimento médio é 4%, nos últimos anos – disse em rápida palestra para empresários e ambientalistas, lembrando principalmente as suas gestões e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O ex-presidente recordou que, com exceção de 2010, um grande momento do país, a última vez que o Brasil cresceu tanto – 7% – foi “na década de 70, no regime militar”. Frisou, no entanto, que aquele crescimento era um índice incompatível com a realidade social, problema que, a seu ver, persiste no país.

– Escrevi num livro sobre crescimento e pobreza. Havia uma explosão demográfica de modo que transportes, saúde e educação foram prejudicados.

Energia 

Para FHC, o país precisa discutir que matriz energética vai propulsionar, e como será feito isso. Apontou um debate não apenas político ou partidário, mas com envolvimento da sociedade.

– Nós temos petróleo, mas temos obrigação de saber como vamos extrair esse petróleo, qual a possibilidade de aumentar a energia eólica, de utilizarmos a fundo medidas de poupança de energia – ressaltou, para fazer um mea culpa de que, em seu governo, houve “risco” de apagão. – Apelamos à população que reduzisse o consumo, e o esforço que fazemos para reduzir hoje é muito pequeno.

Na iminência da Conferência Rio+20, em Junho, FHC reforçou a tese de que o país deve acelerar suas ações no que concerne ao compromisso de reduzir 36% a sua emissão de carbono em 20 anos

– Se não fizermos isso em 10 anos, será difícil de ser revertido.(…) Acho que o desafio além de conhecer os mecanismos é colocá-los em prática. Mas há o desafio moral. É moral, tem que fazer porque é questão de valor, é a questão de vida.

Admitiu, no entanto, que a cobrança da sociedade deve se voltar para a própria, também, e não depender apenas do cenário político.

– É difícil termos um Parlamento que ande depressa.

Crescimento sustentável

“A passagem para a economia verde pode abrir caminho importante para o progresso”.

A frase do ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso foi um dos destaques de sua apresentação, ontem, no III Forum Mundial de Sustentabilidade, num hotel de Manaus (AM).

– Isso (a economia verde) não deve acontecer aqui (por ora) – disse –  mas vai acontecer. As propostas do governo Obama podem sinalizar isso: mudar a matriz da economia americana para uma economia mais verde. Na prática ainda não funcionou – lembrou FHC.

FHC evitou comparações de governos e citar ações da gestão atual, mas ressaltou que, no âmbito político, toda e qualquer política pública sobre o meio ambiente passa por um acordo interministerial. “Temos que atuar simultaneamente em várias áreas”.

– Isso não é fácil de fazer – frisou, embora veja avanços na ideologia da população e de seus mandatários – Conseguimos criar numa mentalidade de Estado:  temos uma área que cuida do meio ambiente. Mas vai convencer o outro mistério de que isso vale (…) É complicado, porque cada um vai focar no seu interesse específico. Se precisar abrir uma estrada, vai fazer.

Para FHC, o tempo e as iniciativas de todas as esferas, governamentais ou não, maturou o debate no Brasil, que saiu de “uma posição retrógrada no desmatamento “.

– Historicamente a floresta para nós era um inimigo. Se fazia um roçado porque tem bicho. Leva tempo para mudar a mentalidade – explicou, ao passo que enumerou desafios atuais – Mas não adianta preservar a floresta sem mudar a visão urbana, melhorar a energia e os transportes.

Promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (LIDE), o III Forum Mundial de Sustentabilidade acontece desde quinta em Manaus e se encerra hoje, com a presença de políticos e ambientalistas.

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