Por Alexandre Braz
Os jornais impressos morreram, mas o velório é caro. Em entrevista ao portal Metrópoles, essa frase de Leandro Mazzini em seu novo livro é uma das mais polêmicas da obra, entre outros assuntos que, quem já leu no prelo, aposta que vão causar debate no setor.
O jornalista de 50 anos – 30 deles como jornalista – lança “Depois do Papel – a reinvenção da imprensa na era da internet” (Ed. Senac-DF), no qual avalia o cenário da imprensa escrita e online, seus desafios, crises e avanços de 25 anos até hoje.
Leia aqui a matéria do Metrópoles.
Para Mazzini, a sobrevivência dos impressos, hoje, vem de uma equação que envolve publicidade (muitas públicas) e eventos extras, o que são os projetos especiais das empresas.
“É uma questão lógica financeira. Com a ascensão da internet nos últimos 25 anos, a notícia que antes você buscava na banca ou pegava na sua porta, chega até você no seu tablet ou smartphone. A internet trouxe comodidade ao leitor, fluidez de notícias, agilidade na divulgação, e interatividade, principalmente.”, avalia o autor.
E explica em seguida: “Os jornais impressos já morreram, mas o velório é caro. O modelo morreu e é caro se desfazer dele, porque custam milhões de reais a um empresário “sucatear” uma gráfica, mesmo para venda. Já fui gráfico e sei o que é esse setor. Os poucos jornais que ainda estão nas ruas sobrevivem com gráficas trabalhando para outros produtos, como livros e projetos especiais que ainda bancam as operações. Mas isso está acabando gradativamente”.
Para Mazzini, “o público tem a nova mídia na mão, há anos, e se acostumou com ela. Procure hoje alguém lendo um jornal num aeroporto ou num metrô. Esse público sumiu. O jornal está na tela, e o novo leitor, o novo anunciante é a geração que nasceu no fim dos anos 90 já lendo tablet e tela de celular, não o papel”
Mas o principal, segundo Mazzini: “o jornalismo nunca morrerá, apenas se reinventa. Daí o título do livro”. Nele, o autor também passeia entre capítulos pela história da Coluna Esplanada, de bastidores dos três Poderes, que criou em 2011 e edita. Hoje a publicação é reproduzida diariamente em mais de 60 jornais e portais de todos os Estados.
Serviço:
“Depois do Papel”
Dia 28 de agosto, a partir das 16h
Casa de Chá da Praça dos Três Poderes, Brasília.

