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PF monitorou repórter

Numa clara tentativa de intimidação do exercício do jornalismo, a Polícia Federal monitorou, transcreveu e incluiu no inquérito da Operação Porto Seguro um diálogo entre o editor desta coluna e um dos detidos, sobre um assunto sem relação com o foco da investigação. O contato se deu dia 30 de Maio, quando o repórter pediu a diretor de agência informações sobre prefixos de aeronaves. No próprio inquérito os delegados citam o caso como ‘repasse de informações’, numa relação usual entre fonte e jornalista.

MEMORIAL. A conversa durou 2min15seg, a partir das 16h11. O telefone grampeado era do diretor sob investigação. Consta do inquérito  nº 2618-91.2011.403.6181 – Volume 6.

A APURAÇÃO. A apuração do repórter tratava de cruzamento de dados sobre a suspeita de uso de avião cedido pelo contraventor Cachoeira a ministro do STF.

O RESULTADO. No dia 1º de Junho, após apuração, a coluna publicou com exclusividade que Cachoeira não emprestou avião para o ministro Gilmar Mendes e o então senador Demóstenes.

ALERTA GERAL. A citação no inquérito abre precedente delicado para a imprensa, como forma de monitorar jornalistas em futuras operações, em contatos com fontes grampeadas. Principalmente em casos nos quais o motivo do contato não está relacionado às investigações. Como notório, o repórter não pergunta se a fonte é monitorada.

Leia a coluna nos jornais (ao lado)

1 comment

  • Jefferson

    Calma, se no inquérito consta “repasse de informações” não há nada a temer. O alarde “intimidação do exercício do jornalismo” é desnecessário e falso.

    Nas entrelinhas de seu texto, isso não pode ser confundido com o envolvimento de Veja (Policarpo Junior) e o Cachoeira, ali sim foi crime, e o jornalista deveria ser punido.

    Boa sorte.

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