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Troca de diretores políticos estancou perdas maiores na Petrobras

Troca de diretores políticos estancou perdas maiores na Petrobras

Para quem acompanha de perto a Petrobras, não é surpresa no mercado o prejuízo com a má administração dos últimos anos e o anúncio de que os sócios terão dividendos cortados. Em 2008, há testemunhas, o repórter ouviu de um ministro dentro do Palácio do Planalto: naquele ano, 62% dos lucros da petroleira foram pagos…. na Bolsa de Nova York. Ou seja, o petróleo já foi nosso um dia.

A presidente Dilma Rousseff decidiu agir rápido em abril do ano passado, quando recebeu relatos preocupantes. A ingerência política era tão profunda quanto o prejuízo de valor de mercado que a estatal amargaria, agora revelado. Pois a prospecção dilmista revelou que a petroleira era um poço de explorações partidárias que controlavam sob suspeição contratos bilionários. Três diretores ligados a três partidos foram defenestrados.

Dilma foi do conselho da petroleira, sabia o que mexer e onde estancar perdas maiores. Deu aval para a então recente nomeada comandante, Maria das Graças Foster (foto), fazer a limpa nos cargos de apadrinhamento na maior empresa do país.

Na diretoria de Abastecimento, saiu Paulo Roberto Costa e entrou José Carlos Consenza. Padrinhos de Costa, perderam PP e PMDB. Renato Duque deixou a diretoria de Engenharia. Petista da corrente Construindo um Novo Brasil, tendência interna mais poderosa do partido, era o nome do ex-ministro José Dirceu.

O PT saiu perdendo. No lugar de Duque entrou José Antônio de Figueiredo, nome de confiança de Graças Foster na estatal.

Na diretoria Internacional, ficou por pouco tempo Jorge Zelada. Ele era apadrinhado da bancada do PMDB do Senado. Zelada tentou emplacar um subordinado no lugar, mas os conselheiros não toparam. Quem assumiu foi a própria presidente Graças Foster.

A Petrobras tem 10 membros no seu poderoso conselho de administração, entre eles o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho. Gente da alta cúpula do governo que se reúne esporadicamente para fazer a empresa crescer. Pelos números, não têm dado conta.

De capital aberto, a empresa também conta com dois conselheiros representantes dos acionistas Detentores de Ações Preferenciais – aquela turma supracitada que embolsou 62% em 2008. Desde ano passado, são eles Jorge Gerdau, o maior empresário do setor de aço, e Josué Gomes da Silva, líder do setor têxtil, filho do saudoso ex-vice-presidente José Alencar.

Provavelmente a dupla que acompanha os desencontros numéricos da petroleira deve ter muito a desabafar para seus sócios.

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