Nesta segunda (06/04), está prevista a votação do Conselho Deliberativo da Fundação Real Grandeza que pode iniciar o processo de cisão do Plano BD que tem participantes de Furnas e da Eletronuclear.
O plano de Benefício Definido nasceu em 1972, e hoje tem um patrimônio de cerca de R$ 17 bilhões para pagar complemento de aposentadorias em pensão.
Ao longo desta trajetória nunca necessitou de contribuições extraordinárias dos participantes para equacionamento de déficits e nunca atrasou um pagamento de benefício em sua história. O plano BD, inclusive, é superavitário e imunizado por investimentos em títulos públicos de longo prazo.
O processo de cisão é uma iniciativa da Eletrobras/Áxia que depois de reestruturar a empresa nos últimos anos após a privatização, agora resolveu mirar nos fundos de Pensão. A ex-estatal criou uma entidade fechada de previdência complementar (EletrobrasPREV) para incorporar e administrar os planos de benefícios de Previnorte, Elos, Eletros, Fachesf e, claro, da Real Grandeza. Os recursos consolidados beiram aos R$ 40 bilhões.
Para transferir o gerenciamento dos recursos do bilionário Plano BD da Fundação Real Grandeza, a Eletrobras/Áxia precisa fazer a cisão dos ativos e passivos de Furnas e da Eletronuclear (porque esta continua estatal).
É uma operação complexa e polêmica. Aposentados e pensionistas de Furnas e da Eletronuclear estão com fortes receios de perderem o controle da administração dos seus recursos na nova estrutura EletrobrasPrev e passarem por déficits e outros riscos e incertezas.
O tema foi pautado às véspera da páscoa, pelo presidente do Conselho Deliberativo Caio Pompeu nesta segunda (06) e já está gerando comoção generalizada entre ativos, aposentados e pensionistas. Sindicatos e associações organizam protestos na sede da Fundação Real Grandeza em Botafogo para denunciar a operação. A semana começa quente no Rio de Janeiro!

